terça-feira, 1 de fevereiro de 2022

Entregues à Bicharada

PS venceu as eleições legislativas de domingo com maioria absoluta com 41,6% e 117 deputados, segundo os resultados provisórios da Secretaria-Geral do Ministério da Administração Interna.Actualização em 26-03: O PS venceu as eleições legislativas(resultados finais) de 30 de janeiro com 2.302.601 votos, correspondentes a 42,50% do total de votantes, elegendo 120 deputados, indica o mapa oficial dos resultados publicado em Diário da República este sábado. O universo eleitoral era de 10.813.246 eleitores e votaram 5.564.539, tendo-se registado uma taxa de abstenção de 48,54%. O número de votos expresso, no entanto, foi de 5.417.715. Os votos em branco foram 63.103, ou seja 1,13%, e os nulos foram 83.721, 1,50%.

sábado, 15 de janeiro de 2022

Manual do Aldrabão

"O votismo e o parlamentarismo são,em Portugal pelo menos,os agentes mais destrutivos de toda a competência administrativa. Desde 1836 até hoje,toda a história do liberalismo português subsequente à ditadura filosófica de Mousinho da Silveira é a flagrante demonstração da nossa incapacidade governativa dentro de um regime parlamentar.Dessa estagnação do pensamento nacional na esfera governativa nasceu a progressiva corrupção dos caracteres poluídos e dos costumes progressivamente rebaixados,dando em resultado final a podridão profunda em que nos afundamos." ---------------------------------------------------------- Ramalho Ortigão in As Farpas na República de 1911 -----------------------
Actualização dia 30-01 https://grandefantochada.blogspot.com/2022/01/dia-de-reflexao.html

sábado, 8 de janeiro de 2022

Sondagens Canhotas e Petições de Esquerda

Sondagem antes das eleições autárquicas que o sr Moedas viria a ganhar.(clicar na imagem) Cartas de amor de uma esquerda portuguesa A 2 de Janeiro, 31 “personalidades de esquerda” rogaram por petição “o entendimento das forças de centro-esquerda e esquerda, visando constituir uma maioria parlamentar e um Governo [maiúscula deles] que tenha como propósito a aplicação de medidas indispensáveis para a melhoria do bem-estar da população”. No dia 4, foram 100 as “personalidades de esquerda” a reclamar “uma maioria plural de esquerda” nas eleições, visto que, “seja qual for o futuro, só essa pluralidade pode construir o diálogo, a alternativa e a resistência”. Escrevo a 7, e estranho que ontem 350 “personalidades de esquerda” não tenham produzido apelo similar. Mas antes do final do mês é plausível que milhares de “personalidades de esquerda” se juntem em dúzias de peditórios. À esquerda não faltam “personalidades”: falta noção do ridículo e falta vergonha.Depois vem a soberba. Conforme a designação indica, as “personalidades” não são quaisquer palermas: são palermas que se julgam ungidos de um estatuto especial, atribuído pela política, a universidade (digamos), o cançonetismo, o “jornalismo” ou as “artes”. Aqui não se encontram cantoneiros, operadores de “telemarketing” ou despachantes, ofícios “normais” que não habilitam o titular a orientar-se sozinho e muito menos a influenciar o próximo. As massas brutas carecem de orientação. Por sorte, acima delas paira uma elite esclarecida generosamente disponível para orientá-las através do exemplo. Se a sra. dona Pilar del Rio, cuja sabedoria é infinita, vota em marxistas, não cabe na cabeça de ninguém que o Zé Luís, bancário na Trofa, arrisque fazer diferente. E se o sr. Abrunhosa, que comete uns discos, deseja que os marxistas preencham por completo o parlamento, seria absurdo que a Isabel de Sousa, pasteleira em Ourém, discordasse. Igualdade sim, mas com limites. Por cá, os comediantes profissionais, em geral de esquerda, em geral possuem a graça de uma torradeira avariada. Em compensação, os comediantes acidentais são genuinamente engraçados. A lengalenga dos 100 chega a referir a necessidade de “alternativa” e de “resistência”. Alternativa a quê, santo Deus? Resistência a quê, virgem santíssima? Esta tropa fandanga é a pura representação do “sistema”, naquilo que o “sistema” tem de mais bolorento e daninho. Gostem ou não (gostam, gostam), em larga medida eles são o poder, que miseravelmente ocupam desde 2015 e espantosamente acumulam com a devoção infantil, e algo macabra, do Maio de 1968, dos barbudos cubanos ou dos próprios sovietes. Ainda que usufruam de privilégios vedados a uns 98% dos restantes portugueses, mantêm o imaginário da “luta” com a extraordinária convicção de um vegetariano que vai na segunda dose de cabrito. Do alto da alucinação e do grotesco, da presunção e da pompa, estas petições e peticionários têm genuína piada. Só perdemos a vontade de rir quando, sob o humor involuntário, nos lembramos de que a influência e as intenções desses bandos são os maiores sintomas do nosso imenso atraso de vida. 08 jan 2022, Alberto Gonçalves no Observador

sexta-feira, 31 de dezembro de 2021

Boas Entradas oh oh oh

Ainda com a mesma dupla de artistas
Os Omicrons do regime e do estado a que chegámos----------------------- As figurinhas do ano por Alberto Gonçalves(ver artigo completo no Observador ou no noticias.myweb.vodafone.pt) António Costa. Como em 2020, fez o que quis: fechou e "libertou" [sic] os cidadãos quando lhe apeteceu, decidiu qual era a "ciência" em que devíamos "acreditar", arruinou uma minoria de cidadãos mediante restrições e empobreceu a maioria através de impostos, aproximou o país dos padrões romenos de vida e excelência, prosseguiu o projecto de conquista da sociedade pelo Estado e de conquista do Estado pelo PS. Em suma, continuou a abençoar-nos com lucidez. E sem sombra de escrutínio, já que ninguém ousa arriscar o consenso patriótico ou o emprego. Pelo seu lado, o renomado democrata não aprecia prestar contas. Também por essa inclinação de carácter, o dr. Costa cansou-se dos dois partidos comunistas e, dado que o eleitorado aprecia trela e miséria, achou-se glorificado pelas massas a ponto de forçar eleições antecipadas. Daqui a um mês, será julgado nas urnas – o que nesta terra não mudará muito. Merecia ser julgado em tribunal – o que nesta terra não mudaria nada. Eduardo Cabrita. É plausível que o dr. Cabrita integre uma experiência de psicologia social: apurar até que que grau de iniquidade um povo sem grandes tradições democráticas tolera um governante. A coisa foi sempre a crescer. Em 2019, houve a divertida corrupção das golas anti-fumo. Em 2020, o SEF torturou até à morte um desgraçado. Em 2021, o dr. Cabrita subiu a parada e seguiu ele próprio no carro que atropelou um trabalhador das auto-estradas, proeza embelezada por calúnias, manipulações, ocultações e outras sujidades subsequentes. Em Dezembro, o espécime lá se demitiu. Demorou seis meses. Gouveia e Melo. O vice-almirante, entretanto sem prefixo. Começou o ano numa obscuridade submarina. Convocado a substituir uma sumidade marxista na vacinação, vestiu camuflado e, tendo dado conta da tarefa, excitou milhões de pasmados. No fim do Verão, a tarefa acabara. O vice-almirante não. Obstinadamente avesso à política e à exposição, o homem apresentou múltiplas ameaças de candidaturas, de ministro a presidente, e não voltou a sair da frente das câmaras. A ver se sai, recentemente empurraram-no à bruta na hierarquia. Além das fardas, o ex-vice-almirante é sobretudo celebrado pela coerência. Proclamou a vitória sobre um vírus que continua aí. Recusou a vacinação de crianças que a seguir promoveu. Insultou os "negacionistas" que não "seguem a ciência" e, consta, mantém relações próximas com a "reflexoterapia" e a "aromoterapia". É de exemplos assim que o país carece. Graça Freitas. Nos cargos de nomeação da administração pública, o Princípio de Peter não costuma precisar de promoções para ser aplicado. Quando, conforme acontece na maioria das vezes, a nomeação provém do PS, é razoável esperar que o sujeito já seja incompetente ainda antes de começar a carreira. As organizações estatais estão repletas de criaturas radicalmente ineptas para a função que desempenham (e, aposte-se, qualquer função). Em geral, não notamos a respectiva existência, embora a paguemos do nosso bolso. A dra. Graça Freitas viu-se na extraordinária situação de ser exposta por circunstâncias extraordinárias: de repente, o desempenho dela ficou à vista, e tornou-se um espectáculo que dura vai para dois anos. De início, espantava. A certa altura, passou a irritar. Agora aquilo só provoca pena, pena sincera. Marcelo Rebelo de Sousa. Não sei se alguém se lembra dele. Sorria para "selfies". Mostrava-se regularmente em cuecas e a banhos. Permitia que o governo trucidasse habitualmente a legalidade e a decência a pretexto da Covid e do que calhava. Dizem que é presidente da República. Não? Não ocorre nada? Bem, o prof. Marcelo foi reeleito no início do ano e dizia-se que a "liberdade" do segundo mandato inspiraria enfim uma atitude responsável. Naturalmente, chega ao final de 2021 com a autoridade e a presença de um ectoplasma. De tanto legitimar o dr. Costa em tudo, o prof. Marcelo acabou por legitimar o dr. Costa a dispensá-lo definitivamente. A dissolução do parlamento e o funeral da "estabilidade" enterraram uma carreira simpática. Da última vez que o vi, tentava soprar um fósforo através da máscara. Isto deve conter uma espécie de analogia.

segunda-feira, 25 de outubro de 2021

SINOPSE


Simplesmente hilariante. De leitura obrigatória para os que queiram ser seduzidos pelo dom de fazer rir.

A crítica política e social, por vezes mordaz e sempre demolidora, que aqui se faz, pode estar, nalguns dos seus aspectos, datada: é a sociedade portuguesa do século XIX e não a dos nossos dias (não será, afinal?) que os autores predominantemente analisam. Mas esta obra é acima de tudo um portentoso exercício de humor satírico. E nesta óptica, é intemporal.
Primeiro escrita para ser usada como peça teatral e depois passada a livro, a Viagem à roda da Parvónia suscitou uma das mais tumultuosas contestações de que há memória. Disse Antero de Quental, a este propósito: "O público protestou contra a caricatura, provavelmente porque se viu nela.Com efeito ,se esse público aplaudisse o quadro da própria ignomínia,que lhe era apresentado,seria além de tudo o mais,cínico.Não o é,toma-se ainda a sério.Pode ser que às vezes,em momentos raros de lucidez relativa,desconfie de que é tolo.Mas não o reconhece e não admite que lho digam.É um sintoma de que desorganização não ataca ainda o intímo do ser.Prova que a corrupção idiota da sociedade de Lisboa é mais o resultado lastimável de condições externas,do que de uma perversão intima e expontânea.Depois o riso é um dissolvente,não é um remédio.O riso amolece,relaxa e acaba por tornar imbecis aqueles mesmos que o empregam contra a imbecilidade alheia.Quando um povo chega a rir-se de si próprio é porque perdeu uma boa parte,senão a melhor parte,da sua virtude colectiva.Tornou-se talvez mais gentil,mas os povos gentis estão muito longe de serem os povos fortes.Receio um tanto que a espirituosa purée de epigramas e ditos venha mais tarde,daqui por alguns anos,a reconhecer-se pouco substancial e até causadora de certa anemia moral.Se há gangrena nesse corpo social(sociedade de Lisboa),e tantos sintomas rapidamente acumulados o estão denunciando,é o cautério,é o ferro em brasa que convém aplicar-lhe,e rudemente,firmamente,porque se não brinca com a gangrena."(Antero de Quental em 1879)


“A estreia da Viagem à roda da Parvónia na noite de 17 de Janeiro de 1879 foi muito provavelmente a mais tumultuosa da história lisbonense do teatro declamado no último quartel de Oitocentos. A representação chegou ao fim, mas tão ponteada de acidentes, com tanta pateada (a única na carreira do velho actor Taborda), tanto espatifar de cadeiras, que a proibição policial, se não viesse logo, justificar-se-ia ao segundo ou ao terceiro espectáculos, por afrontamentos mais graves”, assinalava Pedro da Silveira, o amigo e biógrafo de Guilherme de Azevedo, no prefácio a esta peça que continua até hoje a ser encenada.